Aprender Libras: 5 passos para começar
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Muita gente decide aprender Libras depois de um encontro: um colega de trabalho surdo, uma criança surda na família, um cliente que não foi atendido direito. A vontade existe, mas a dúvida também: por onde começar?
Este texto não é notícia do dia. É um guia de primeiros passos, com base no que a lei brasileira diz sobre a Libras e na experiência de sala de aula do Integrando.
O que a lei diz sobre a Libras
24/04/2002
Lei 10.436
Reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão das comunidades surdas do Brasil, com estrutura gramatical própria.
22/12/2005
Decreto 5.626
Regulamenta a lei e torna a Libras disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores e de Fonoaudiologia.
Art. 4º
Quem ensina
O decreto pede formação superior para quem ensina Libras e dá prioridade a pessoas surdas nesses cursos.
A mesma lei de 2002 deixa um ponto claro: a Libras não substitui a modalidade escrita da língua portuguesa. Para a pessoa surda, o caminho é bilíngue, com a Libras como língua de instrução e o português escrito como segunda língua.
Cinco passos para começar
- Entenda que é uma língua, não mímica. A Libras tem gramática própria e não é o português feito com as mãos. Também não é universal: cada país tem a sua língua de sinais. Se quiser desfazer outras ideias comuns, leia 5 mitos sobre o ensino de Libras.
- Comece com professor qualificado. Vídeos e aplicativos ajudam a revisar, mas não corrigem a configuração da mão, o movimento nem a expressão. Um curso com turma e professor dá a correção que o estudo sozinho não dá.
- Use o rosto e o corpo. Na Libras, a expressão facial e corporal faz parte da frase. Perder a vergonha de usar o rosto é um dos primeiros desafios de quem começa.
- Pratique toda semana. Pouco tempo com frequência vale mais do que uma maratona por mês. Revise os sinais da aula, sinalize em frente ao espelho e procure conteúdo produzido por pessoas surdas.
- Conviva com a comunidade surda, com respeito. Eventos, apresentações culturais e encontros mostram a língua viva. Não invente sinais nem se dê um sinal-nome: na cultura surda, o sinal-nome costuma ser dado por pessoas surdas.
Por que isso importa
A Libras não é só assunto da pessoa surda. Quando a família aprende, a criança surda deixa de ficar de fora da conversa da mesa. Quando a escola tem gente que sinaliza, o aluno surdo ganha alguém com quem falar no recreio. Quando o comércio e os serviços aprendem o básico, o atendimento deixa de depender de bilhete e de gesto improvisado.
Há um limite importante, porém. Fazer um curso básico permite cumprimentar, se apresentar e manter uma conversa simples, mas não transforma ninguém em intérprete. Consulta médica, audiência, reunião de escola e evento pedem um tradutor e intérprete de Libras e português (TILSP), com formação e experiência para isso. Saiba mais na nossa página de intérprete de Libras.
O que famílias, escolas e empresas podem fazer
- Famílias: aprender junto com a criança surda e combinar alguns sinais da rotina da casa desde cedo.
- Escolas: incentivar que professores e funcionários façam ao menos o nível básico, sem substituir o intérprete em sala.
- Empresas: formar parte da equipe de atendimento e contratar TILSP para reuniões, treinamentos e eventos.
- Quem quer começar: escolher um curso com turma regular e reservar um horário fixo na semana para praticar.
Quer começar a aprender Libras?
O Integrando tem turmas de Libras em Madureira, do Básico ao Avançado e Conversação. A próxima turma do Básico 1 começa em 7 de novembro de 2026, aos sábados, e há também turma às quartas-feiras a partir de 11 de novembro.
Fontes
- Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 (Planalto, consultada em 26/10/2026)
- Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 (Planalto, consultado em 26/10/2026)
Texto produzido pela equipe do Integrando Libras com base nas fontes acima. Atualizado em 26/10/2026.
