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Prova em Libras: o que a ação do MPF contra o Inep mostra

Capa do texto: mão com padrão afro-brasileiro e o título Prova em Libras: o que a ação do MPF contra o Inep mostra

Em 20 de agosto de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) foi à Justiça contra o Inep. O pedido: que candidatos surdos inscritos na Prova Nacional Docente (PND) 2026 possam fazer a prova em Libras, e não apenas ouvir orientações gerais traduzidas. O caso mostra, na prática, o que significa acessibilidade em uma avaliação.

O que aconteceu, em três datas

27/07/2026

Recomendação

O MPF recomenda ao Inep videoprova em Libras ou intérprete para a leitura integral da prova, com prazo de 10 dias para resposta.

20/08/2026

Ação na Justiça

O MPF aciona a Justiça Federal no Pará, com pedido de decisão urgente (ação civil pública nº 1055242-85.2026.4.01.3900).

20/09/2026

Dia da prova

Data de aplicação da PND 2026, com reaplicação prevista para 18/10, segundo a petição do MPF.

Tudo começou em 2025, com uma representação da Associação de Surdos de Altamira, Xingu e Transamazônica (ASAXT), que levou ao MPF a falta de acessibilidade em Libras na prova.

O que o Inep respondeu

Segundo a petição do MPF, o Inep reconheceu que a videoprova (a prova gravada em Libras por intérprete) é o recurso que garante maior acessibilidade. Mas afirmou que aplicá-la nas 21 áreas da edição de 2026 seria “tecnicamente e financeiramente inexequível”. O edital manteve a leitura em Libras apenas para orientações gerais, com 60 minutos de tempo adicional.

O MPF contesta: diz que a justificativa foi genérica, sem cronograma nem planilha de custos, e lembra que o próprio Inep usa videoprova em Libras no Enem desde 2017. O órgão compara a falta de tradução integral a aplicar a prova em língua estrangeira para esses candidatos e cita a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015). Para 2027, pede regras permanentes de acessibilidade na PND.

Por que isso importa

Libras é uma língua, com gramática própria. Para muitas pessoas surdas, o português escrito é a segunda língua. Uma prova só em português, com Libras apenas nas instruções, cobra de quem é surdo duas coisas ao mesmo tempo: o conhecimento da área e o domínio de uma língua que não é a primeira. Esse é o centro da discussão.

O que famílias, escolas e candidatos podem fazer

Isto é orientação geral, não aconselhamento jurídico:

  • Peça a adaptação por escrito, pelo canal oficial, assim que a inscrição abrir, e guarde o protocolo.
  • Pergunte exatamente o que será oferecido: videoprova, ou intérprete só para orientações? Intérprete para a prova toda? Quanto tempo adicional?
  • Procure associações de surdos e os órgãos de defesa de direitos da sua cidade. Foi uma associação que levou este caso ao MPF.
  • Na escola, Libras e português como segunda língua desde cedo são o que prepara o aluno surdo para qualquer avaliação.
  • Intérpretes precisam de preparo: uma prova integral em Libras exige material antecipado e equipe em dupla, com revezamento.

O que ainda não sabemos

Até 22/10/2026 não encontramos, em fontes abertas, decisão judicial sobre o pedido nem informação de como a prova foi aplicada aos candidatos surdos. Quando houver, atualizamos este texto.

Precisa de intérprete de Libras para prova, evento ou aula?

A equipe do Integrando trabalha com tradutores e intérpretes de Libras (TILSP), em dupla e com preparo antes do evento.

Fontes

Texto produzido pela equipe do Integrando Libras com base nas fontes acima. Atualizado em 22/10/2026.

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