A Cor do Som: o racismo no mercado de áudio
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Quem escolhe a voz de um comercial, de um audiolivro ou de um podcast? E quem decide o que é um som “bom” ou “profissional”? Um estudo lançado em outubro de 2026 mostra que essas escolhas, que parecem só técnicas, também carregam o racismo.
O dossiê se chama A Cor do Som. Foi feito pela plataforma Semiótica Antirracista em parceria com o Estúdio Nina, com apoio da Audible, e investiga como o racismo atravessa o mercado de áudio e do audiovisual no Brasil.
O estudo em três números
4
Especialistas
O estudo ouviu quatro especialistas, além de fazer revisão bibliográfica sobre o tema.
20
Profissionais negros
Foram 20 profissionais negros de diferentes regiões do país, em entrevistas e grupos de discussão.
11
Formas de violência
A pesquisa organizou 11 formas de violência racial relatadas pelos participantes.
O que a pesquisa encontrou
Segundo a matéria da Propmark, de 20 de outubro de 2026, o primeiro achado é uma lacuna: quase não há estudos sobre raça e produção sonora. A maior parte do que se escreve sobre áudio trata de tecnologia e operação.
O segundo achado ganhou nome: a “ideologia da técnica”. É a ideia de que as decisões sobre áudio seriam neutras, puramente técnicas. Essa crença, diz o estudo, dificulta enxergar a desigualdade na seleção de profissionais, na definição do que é padrão de qualidade, na escolha de vozes e na distribuição de oportunidades.
Entre as formas de violência relatadas, a matéria cita a cobrança constante para provar competência, a condescendência, a tendência de chamar profissionais negros só para falar de temas raciais e episódios de assédio moral e sexual.
Para Ana Carla Carneiro, sócia do Estúdio Nina, o problema vai além da presença de pessoas negras: “Os relatos mostram que não estamos falando apenas de representação”. Ela aponta acesso a oportunidades, reconhecimento, salário, liderança e permanência na carreira.
Por que isso importa
O som também conta quem somos. Quando sotaques, timbres e jeitos de falar de pessoas negras ficam fora do que se considera “voz profissional”, o público escuta sempre a mesma versão do Brasil. E quem trabalha atrás do microfone ou da mesa de som encontra portas mais estreitas.
Para o Integrando, o tema toca de perto a acessibilidade audiovisual. A audiodescrição, por exemplo, é feita de voz e de escolhas: que palavras usar para descrever uma pessoa, um cabelo, uma cor de pele. Uma produção atenta ao racismo descreve com respeito e precisão, sem apagar nem estereotipar.
Como fazer parte
- Leia o dossiê. A Semiótica Antirracista informou no Instagram que o arquivo pode ser baixado de graça pelo link da bio do perfil @semioticaantirracista.
- Escute com atenção. Repare quem narra os audiolivros, podcasts e comerciais que você consome. Procure e indique produções com vozes negras.
- Na escola, o tema rende aula sobre mídia e racismo, dentro do que pede a Lei 10.639/2003. Veja o que a lei exige o ano todo.
- Quem contrata som e voz pode rever critérios de seleção e perguntar: o que estamos chamando de “padrão”?
O que ainda não sabemos
Até 04/11/2026, não lemos o dossiê completo: este texto se baseia na matéria da Propmark e na publicação da Semiótica Antirracista no Instagram. Não sabemos quais são todas as 11 formas de violência sistematizadas nem se o estudo traz números ou percentuais.
Cultura negra e acessibilidade andam juntas
O Integrando une educação afro-referenciada, Libras e acessibilidade em oficinas, eventos e conteúdos para escolas e instituições.
Fontes
- Propmark: Estudo “A cor do som” aborda a questão racial no mercado de áudio brasileiro, 20/10/2026 (lida em 04/11/2026).
- Semiótica Antirracista: publicação no Instagram @semioticaantirracista sobre o lançamento do dossiê, com o link de download na bio (vista em 04/11/2026).
Texto produzido pela equipe do Integrando Libras com base nas fontes acima. Atualizado em 04/11/2026.
