Livro em braille na escola: o que propõe o PL
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Imagine começar o ano letivo sem o livro que todos os colegas já abriram na primeira aula. Para muitos estudantes cegos, isso não é hipótese. Um projeto de lei apresentado no Senado em 14 de outubro de 2026 quer transformar em regra que o livro em braille chegue junto com os demais.
Este texto parte de dois documentos oficiais: o projeto e a resposta que o FNDE deu à Câmara dos Deputados, em maio, sobre os livros acessíveis do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).
O que aconteceu
14/10/2026
O projeto
O PL 5565/2026, da senadora Mara Gabrilli, muda o art. 4º, inciso VIII, da LDB. Está aguardando despacho.
19.373 livros
A previsão para 2026
É a estimativa do FNDE de livros em braille para este ano. Em 2024 foram 7.713 e, em 2025, 10.689.
2.969 estudantes
Quem foi considerado
Matrículas do ensino fundamental e da EJA processadas pelo FNDE para os livros em braille de 2026. No RJ, 171.
O texto do projeto acrescenta à LDB que, no fornecimento de material didático, os exemplares em braille, em formato acessível ou adaptado sejam entregues de forma simultânea aos dos demais estudantes. Não cria programa novo: muda o momento da entrega. Na justificação, a senadora afirma que esses materiais “chegam com meses de atraso ou, infelizmente, não são disponibilizados”.
O que diz o governo
Na Nota Técnica enviada à Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara, assinada em 22/05/2026, o FNDE afirma que não houve ausência de material acessível e que a distribuição do ciclo atual começou em março de 2026. O órgão explica por que o braille demora: há edital, credenciamento de produtoras, contratação, transcrição e avaliação (cerca de 5 meses em média) e só então impressão em relevo e envio. Segundo a nota, cada edital leva pelo menos dois anos entre a proposta e a compra.
A nota também informa a previsão de R$ 28,5 milhões para atender estudantes cegos e surdocegos da rede pública em 2026 e diz que, desde 2019, os livros em braille-tinta (braille e letra ampliada na mesma página) são os mesmos títulos escolhidos pela escola para os colegas videntes.
Por que isso importa
Os números ajudam a ver o tamanho do desafio. Em 2022, o programa distribuiu 21.603 livros em braille; em 2024, 7.713. Mesmo com a previsão de recuperação em 2026, todo o processo depende de prazos longos, e um atraso em qualquer etapa cai sobre um grupo pequeno de alunos, espalhado pelo país, que não tem outro livro para usar.
Para o Integrando, acessibilidade na escola é chegar no mesmo dia, não depois. Vale para o livro em braille, para a presença de TILSP na sala com aluno surdo e para a adaptação de atividades. Quando o recurso chega atrasado, o aluno passa as primeiras semanas acompanhando a aula pela metade, e esse atraso pesa na aprendizagem do ano inteiro.
O que famílias e escolas podem fazer
- Confira se a matrícula do estudante está registrada no Censo Escolar com a deficiência visual: segundo o FNDE, o atendimento do braille parte desses dados.
- Pergunte à escola se ela fez a escolha dos livros do PNLD e se pediu o material acessível. A nota lembra que a escola pode indicar que não deseja determinado material.
- Converse com o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) sobre outros formatos, como o livro digital com audiodescrição, sem abrir mão do braille.
- Se o livro não chegou, registre o pedido por escrito na secretaria de educação e guarde o protocolo.
- Acompanhe o PL 5565/2026 na página da matéria no Senado.
Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica.
O que ainda não sabemos
Até 30/10/2026, o projeto não tinha sido enviado a nenhuma comissão do Senado, e não há previsão de votação. A nota do FNDE não informa quantos dos 19.373 livros previstos já foram entregues, e a tabela de estudantes traz só o ensino fundamental e a EJA. Não encontramos dado oficial atualizado sobre a entrega no segundo semestre.
Cada aluno aprende de um jeito
No reforço escolar do Integrando, o plano de estudo parte das necessidades de cada estudante, com atenção à inclusão de alunos surdos e com deficiência.
Fontes
- Senado Federal: Projeto de Lei nº 5565, de 2026 (texto inicial e tramitação, consultados em 30/10/2026).
- Agência Senado: Projeto prevê entrega de material em braile junto com os demais livros escolares (26/10/2026).
- Câmara dos Deputados, Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência: resposta do MEC ao Requerimento de Informação nº 178/2026 (Ofício nº 2484/2026 e Nota Técnica do FNDE, 22/05/2026).
- Planalto: Lei nº 9.394/1996 (LDB).
Texto produzido pela equipe do Integrando Libras com base nas fontes acima. Atualizado em 30/10/2026.
