Como conversar com uma pessoa surda: 6 dicas
Toque no botão verde para ouvir.
No posto de saúde, no balcão da loja, na reunião da escola: cedo ou tarde, você vai conversar com uma pessoa surda. Não é preciso ser fluente em Libras para a conversa dar certo. É preciso atenção e alguns cuidados simples.
Este texto não parte de uma notícia nova. O gancho são os números do Censo Demográfico 2022 sobre deficiência, publicados pelo IBGE em 2025, e as regras que reconhecem a Libras como língua no Brasil.
Os números
2,6 milhões
Dificuldade para ouvir
Pessoas de 2 anos ou mais que, em 2022, tinham muita dificuldade para ouvir ou não ouviam, mesmo usando aparelho auditivo.
543,8 mil
Não ouvem de modo algum
É o grupo que respondeu ao Censo que não consegue ouvir de forma alguma: 0,3% da população de 2 anos ou mais.
2002
Libras reconhecida
A Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão.
Um cuidado com esses dados: o Censo não pergunta quem usa Libras. Ele mede a dificuldade para ouvir. Nesse grupo há pessoas surdas que têm a Libras como primeira língua e pessoas que perderam a audição com a idade e se comunicam em português. Por isso, pergunte em vez de supor.
6 dicas para uma conversa que funciona
1. Chame a atenção do jeito certo
Gritar não adianta. Entre no campo de visão da pessoa e acene, ou toque de leve no ombro ou no braço. Em um grupo, piscar a luz da sala é um recurso conhecido.
2. Pergunte como a pessoa prefere se comunicar
Libras, escrita, leitura labial, mensagem no celular: cada pessoa surda tem a sua forma.
3. Deixe o rosto à vista
Fique de frente, com luz no seu rosto (não de costas para a janela), e não cubra a boca. Fale em ritmo natural, sem exagerar a articulação. A expressão do rosto também comunica, e na Libras ela faz parte da própria língua.
4. Escreva frases curtas e diretas
Papel e celular ajudam, mas lembre que, para muitas pessoas surdas, o português escrito é a segunda língua. A própria Lei 10.436 diz que a Libras não substitui a modalidade escrita do português; as duas convivem. Frases simples e sem rodeio funcionam melhor.
5. Com intérprete, fale com a pessoa surda
Quando houver TILSP (tradutor e intérprete de Libras e português), olhe e dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete. Diga “você”, e não “diga a ele que”. O intérprete é a ponte, não o destinatário da conversa.
6. Aprenda o básico em Libras
Saber cumprimentar, agradecer e usar o alfabeto manual já muda o clima da conversa. E use “pessoa surda”: é como a comunidade se reconhece. O termo “surdo-mudo” é incorreto.
Por que isso importa
A lei garante o direito, mas o dia a dia é feito de conversas. O Decreto nº 5.626/2005 define pessoa surda como quem compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais e manifesta sua cultura principalmente pela Libras. Ou seja: a Libras é língua e cultura, não um improviso de gestos.
O mesmo decreto, no art. 26, determina que o poder público, as concessionárias de serviços públicos e os órgãos da administração federal garantam atendimento às pessoas surdas por meio da Libras e da interpretação, com pelo menos 5% de servidores e funcionários capacitados.
Para o Integrando, cada ouvinte que aprende o básico em Libras torna a cidade um pouco mais acessível. Comece pelos primeiros passos para aprender Libras e veja também os direitos de acessibilidade em teatro e cinema.
Para levar com você
- Atenção visual primeiro: aceno ou toque leve, nunca grito.
- Pergunte qual é a forma de comunicação preferida.
- No serviço público, você pode perguntar se há atendimento em Libras ou intérprete.
- Em evento, consulta ou reunião importante, combine o TILSP com antecedência.
Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica.
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Fontes
- IBGE: Censo Demográfico 2022: pessoas com deficiência e pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista. Resultados preliminares da amostra (2025; Tabelas 7 e 10, consultadas em 31/10/2026).
- Agência Brasil: Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência (maio de 2025).
- Planalto: Lei nº 10.436/2002 (consultada em 31/10/2026).
- Planalto: Decreto nº 5.626/2005, arts. 2º e 26 (consultado em 31/10/2026).
Texto produzido pela equipe do Integrando Libras com base nas fontes acima. Atualizado em 31/10/2026.
